domingo, 16 de julho de 2017

ALBERT FLAMM

ALBERT FLAMM - Recanto em Capri - Óleo sobre tela - 68 x 95 - 1850

ALBERT FLAMM - Campana romana com ruínas e agricultores
Óleo sobre tela - 75 x 115 - 1906

Muitos artistas começam suas carreiras em sua própria terra de origem, mas muitos deles só se realizam profissionalmente quando descobrem terras estrangeiras. Albert Flamm foi um desses artistas. Natural da Alemanha, onde nasceu na cidade de Colônia a 9 de abril de 1823, foi somente quando conheceu a Itália que seu trabalho atingiu o nível que desejaria. Aliás, durante o século XIX, a Itália foi o roteiro para muitos artistas do centro e norte da Europa, como de várias outras partes do mundo, inclusive dos Estados Unidos, Rússia e até mesmo de artistas latinos, como brasileiros e argentinos. Com clima bem mais ameno e praias ensolaradas, o país tornou-se uma espécie de retiro obrigatório para muitas colônias de artistas, além dos muitos museus respeitados e das coleções de importantes famílias, que já atraíam turistas de várias partes do mundo.

ALBERT FLAMM - Golfo de Nápoles - Óleo sobre tela - 45,5 x 35 - 1906

ALBERT FLAMM - Figuras numa praia - Óleo sobre tela - 55,2 x 107,3

ALBERT FLAMM - Margens do Reno em Leutersdorf - Óleo sobre tela

Flamm estudou arquitetura, entre os anos de 1836 e 1838, nas Academias de Arte de Dusseldorf e Antuérpia. Somente em 1841, ele adotou a pintura como profissão, estudando na prestigiada Escola de Dusseldorf, sob as orientações de Andreas Achenbach. Foi com Oswald, irmão de Andreas, que estabeleceu uma profunda amizade e viajaram juntos por várias partes do país. O ano de 1845 foi um período onde exploraram bastante as paisagens do Reno, Ahr e Mosel.

ALBERT FLAMM - Capri - Óleo sobre tela

ALBERT FLAMM - Capri - Óleo sobre tela - 70 x 105 - Cerca de 1849

ALBERT FLAMM - Noite no Reno - Óleo sobre tela - 97,5 x 88 - 1906

Flamm descobriu um outro universo quando visitou a Itália nos anos seguintes. A mudança de ambiente foi tão decisiva em sua carreira, que ele montou um ateliê e residência em Roma, juntamente com o artista suíço Arnold Böcklin. Oswald Achenbach também visitava continuamente os amigos e saíam juntos para pintar. Ambos se encantaram imediatamente com tudo que viam e exploraram as terras italianas na sua mais completa possibilidade. Começaram ao sul de Nápoles, passaram pelas campanas romanas e pelos pântanos de Pontine. A estreita relação desses artistas com as terras italianas foi tanta, que Oswald Achenbach e Albert Flamm ficaram conhecidos como os alemães italianos. Já estavam tão familiarizados com aquilo que viviam, que artistas estrangeiros, como o americano Sanford Robinson Gifford chegou a afirmar uma vez que ninguém pintava os campos italianos como Oswald Achenbach, com exceção de Albert Flamm, em alguns poucos momentos.

ALBERT FLAMM - Vista da Torre de Badia, entre Salermo e Amalfi
Óleo sobre painel - 50 x 78 - 1849

ALBERT FLAMM - Vista do Golfo de Nápoles - Óleo sobre tela

ALBERT FLAMM - Numa campana - Óleo sobre painel - 40 x 50 - 1906

A prática da pintura em ambiente aberto, hoje consagrado como plein air painting, foi inicialmente adotada por eles, em 1848, quando fundaram uma Associação de Pintores Intinerantes. Atividade que só foi incluída como matéria de aula acadêmica em 1870, por Oswald Achenbach, na Academia de Arte de Dusseldorf. Em 1898, Albert Flamm, Otto Erdmann e Georg Oeder fizeram, inclusive, uma exposição comemorativa aos 50 anos da pintura ao ar livre.

ALBERT FLAMM - Vista da Pedra do Papa - Óleo sobre tela - 66 x 52

ALBERT FLAMM - Vista do Golfo de Nápoles - Óleo sobre tela - 60 x 80

ALBERT FLAMM - Numa costa de Capri - Óleo sobre tela - 100 x 131

Flamm viria a se casar em 19 de outubro de 1860, com Anna Arnz, uma filha do editor Heinrich Arnz . Ela era irmã do pintor Albert Arnz e Julie Arnz, com quem o pintor Oswald Achenbach tinha casado anteriormente. Flamm e Achenbach tornaram, assim, concunhados. Flamm tinha uma irmã, Charlotte (1820-1895), que também posava como modelo-vivo para o grupo, e um filho Carl, que se tornou pintor de retratos. Outro filho, Oswald Flamm , estudou construção naval e engenharia naval em Charlottenburg e foi um dos principais pesquisadores e engenheiros na construção naval e de submarinos do Império Alemão.

ALBERT FLAMM - Numa paisagem italiana - Óleo sobre tela - 23,5 x 32,5

ALBERT FLAMM - Uma cantina na Via Apia - Óleo sobre tela - 100 x 150

ALBERT FLAMM - Festa da colheita - Óleo sobre tela - 29,5 x 43,3 - Circa de 1850

Sobre o trabalho de Albert Flamm, pode-se dizer que a Itália predominou em quase toda sua produção. Foi somente lá que adquiriu uma luminosidade, naturalidade e virtuosismo que dariam atributos únicos aos seus trabalhos. Em terras italianas, ele preferia as regiões de Roma e Nápoles, som suas luzes quentes e de onde ele conseguia muitas cenas pintadas com informações únicas, que não encontraria em nenhum outro lugar. Ele gostava da cultura e do povo italiano, com suas rotinas de trabalho e sua vida discreta e feliz. Isso era tão percebido em suas obras, que logo atraiu a atenção do próprio povo italiano e de turistas. Para valorizar a vastidão da paisagem italiana, ele gostava sempre de escolher pontos elevados, e assim obter uma panorâmica bem abrangente. Juntamente com Oswald Achenbach e Eugen Dücker, Albert Flamm formava o trio dos mais respeitados paisagistas da Academia de Dusseldorf.

O artista faleceu em Dusseldorf, a 28 de março de 1906.

ALBERT FLAMM - Via Appia - Óleo sobre tela - 29,5 x 45,4


2 comentários:

  1. Gostei de cada trabalho... me lembra as pinturas do Rubens Vargas... certo que são ambientes diferentes e climas diferentes.
    Grande abraço

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    1. São trabalhos fantásticos. Não canso de admirá-los!
      Obrigado por vir, amigo!

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