domingo, 15 de outubro de 2017

BRETT JAMES SMITH

BRETT JAMES SMITH - Meio-dia no campo - Óleo sobre tela - 20 x 30 pol

BRETT JAMES SMITH - Segredos sob as pedras - Óleo sobre tela - 22 x 24 pol

BRETT JAMES SMITH - Fim do dia - Óleo sobre tela - 24 x 36 pol - 2001

De uma certa forma, sempre que encontro algum artista que se identifica diretamente com o estilo e temas que também gosto de abordar, sou tomado pelo ímpeto de não resistir o compartilhamento. Assim aconteceu quando me deparei com os trabalhos de Brett Smith, cujas obras remetem muito bem aos temas rurais que tanto admiro e faço questão de cultivar em minha produção. Estão em suas obras o gosto pelo desenho, a narrativa bucólica e a manutenção da memória de tempos perdidos. Todos os requisitos que considero essenciais para o artista que aborda seus trabalhos com uma proposta bem definida.

BRETT JAMES SMITH - Chegando a noite - Óleo sobre tela - 16 x 20 pol

BRETT JAMES SMITH - Acampamento junto ao rio - Óleo sobre tela - 24 x 40 pol

BRETT JAMES SMITH - Caçando codornas - Aquarela sobre papel - 20 x 29 pol

Brett James Smith nasceu em Nova Orleans, estado norte-americano da Louisiana, a 19 de março de 1958. Como grande parte dos artistas, seus anos de infância e adolescência tiveram uma grande influência no rumo de sua vida artística futura. Ainda bem novo, foi apresentado à vida esportiva pelo avô, que tinha como hobbie predileto caçar codornas em Longleaf Pine, no leste do Texas. O gosto por esse contato com o meio rural e selvagem foi intensificado quando também começou a praticar caça aos patos, em diversas reservas de sua região. E isso influenciaria bastante em suas decisões futuras.

BRETT JAMES SMITH - Atravessando a represa - Óleo sobre tela - 36 x 48 pol

BRETT JAMES SMITH - Acampamento - Óleo sobre tela - 24 x 36 pol

BRETT JAMES SMITH - Cane Island Pond - Aquarela sobre papel - 21 x 29 pol

Uma vez frequentando o curso de belas artes, Brett Smith não se deu por satisfeito com a grande carga de estudos voltados para arte contemporânea. Queria aprofundar em estudos que o melhor capacitassem para reviver as memórias que sempre o acompanhavam. Inscrevendo em um curso de belas artes particular, enfatizou o desenho e a pintura, com especial atenção para o desenho da figura humana e composições com apelo dissertativo.

BRETT JAMES SMITH - Pescando no outono - Óleo sobre tela - 24 x 40 pol

BRETT JAMES SMITH - Lazy river - Óleo sobre tela - 24 x 36 pol

BRETT JAMES SMITH - Riacho na montanha - Óleo sobre tela - 32 x 50 pol

De posse de mais recursos técnicos, começou então uma carreira por conta própria, como ilustrador comercial. Nova York era o centro mais apropriado para esse tipo de arte naquelas épocas e é pra lá que se mudou e seguiu seu trabalho. Um representante importante o apresentou a diversos clientes corporativos editoriais e seus trabalhos começaram a ser muito bem aceitos a cada publicação. Foi então que decidiu que deveria se aventurar também pela pintura de cavalete e enfatizar ainda mais a temática que sempre o acompanhou.

BRETT JAMES SMITH - Respite - Óleo sobre tela - 30 x 48 pol

BRETT JAMES SMITH - Dia de verão - Óleo sobre tela - 24 x 36 pol

BRETT JAMES SMITH - A fisgada - Óleo sobre tela - 20 x 24 pol - 2006

Artista minucioso, Brett Smith cria cenas atemporais, que saem lá do fundo de sua memória e são lembranças de momentos familiares ou entre amigos. Inspirando em artistas do passado, como Howard Pyle e N.C. Wyeth, ele conseguiu criar um trabalho com identidade própria, que o diferencia dos artistas de sua geração. Assim, cenas de caça, de pesca e a vida de nativos do oeste americano, são explorados largamente em suas obras. Ele executa os trabalhos mais elaborados em óleo sobre tela e a aquarela para resultados mais espontâneos, chegando a praticar a pintura ao ar livre para apontamentos mais gestuais.

BRETT JAMES SMITH - Sua volta - Óleo sobre tela - 32 x 50 pol - 2007

BRETT JAMES SMITH - Cedar Creek Falls - Óleo sobre tela - 34 x 28 pol

BRETT JAMES SMITH - No coração do campo - Óleo sobre tela - 24 x 34 pol

Não é de estranhar que suas obras sejam esperadas ansiosamente por praticantes esportistas de caça de todos os Estados Unidos. Seus trabalhos dessa temática não são apenas comoventes, mas autênticos, e relevam a sua intimidade com a temática abordada. Como ele próprio já afirmou, “o importante em minhas composições é não perder o senso de humor, um sentimento de como as coisas foram e ainda podem ser”. Seus trabalhos se encontram nas coleções particulares mais prestigiadas dos Estados Unidos e ele sempre participa de publicações artísticas, seja em revistas periódicas ou livros.

BRETT JAMES SMITH - Os intrusos - Óleo sobre tela - 14 x 18 pol

BRETT JAMES SMITH - Tight lines
Aquarela sobre papel - 21 x 29 pol

BRETT JAMES SMITH - Pescando próximo a uma ponte coberta - Óleo sobre tela - 9 x 12 pol

PARA SABER MAIS:


domingo, 8 de outubro de 2017

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Parte 2

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Castellmare dell golfo, Golfo de Nápoles - detalhe

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Castellmare dell golfo, Golfo de Nápoles
Óleo sobre tela - 75,5 x 144,5 - Entre 1876 e 1877

Já produzi uma matéria anteriormente sobre Unterberger, mas, não resisti em pesquisar um pouco mais sobre sua vida e coletar um pouco mais de imagens, sobre esse artista que se tornou uma das figuras mais notáveis da arte austríaca. Incomparável em muitos aspectos como artista, teve uma vida tranquila, nascido em uma família de estabilidade financeira e ainda tendo como pai um negociante de artes, muito bem estabelecido em Innsbruck. Foi o único artista numa família com mais dez irmãos.  Unterberger soube aproveitar muito bem tudo isso, e fez de sua vida uma devoção completa e muito bem sucedida à arte.

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Paisagem alpina - Óleo sobre tela - 89,5 x 137,2

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Por de sol nas Montanhas Schlern, próximo a Bolzano
Óleo sobre painel - 42 x 58

Um dos aspectos mais importantes a se notar na produção de Franz Richard Unterberger está relacionado às inúmeras viagens que ele se permitiu em toda sua vida. Tão logo concluiu seus estudos preliminares, pôs-se a viajar e produzir obras efusivamente por onde passava. Começou pela Noruega, onde produziu inúmeras obras com cenas tão peculiares e exóticas. A aceitação por tais obras foi muito grande, nas exposições que fez em Inssbruck, Viena e Düsseldorf, o que o encorajou a viajar mais e produzir mais. Assim fez, visitando agora a Dinamarca, a costa inglesa e a Escócia.

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Rio selvagem nos Alpes - Óleo sobre tela - 42 x 58

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Um dia dourado próximo ao Reno
Óleo sobre tela - 76,5 x 127

Não foi um artista que abandonou suas origens, muito pelo contrário. Sempre saía pela Áustria e produziu diversos trabalhos em várias regiões do país. Em 1862, ficou uma boa temporada no Tirol, onde produziu trabalhos importantes de sua carreira. Continuava combinando a simplicidade da vida do campo com as tão bem elaboradas cenas que idealizava.

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Pastores nas margens de um lago na montanha
Óleo sobre tela

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Um lago na montanha - Óleo sobre tela - 72,5 x 111,5

Mesmo que fossem épocas de turbulências políticas em várias regiões da Europa, também foi um período onde o turismo ganhou um novo fôlego no continente. A nova classe burguesa de todas as partes do mundo não saía de Paris, Londres e Roma. Queriam visitar os museus, que se repaginavam e ofereciam exposições e promoviam salões. Isso ajudava em muito nas vendas dos trabalhos de Unterberger. Os principais resorts e pontos turísticos da Europa expunham suas obras e todas eram logo vendidas.

FRANZ RICHARD UNTERBERGER
Costa de Amalfi, vista de um convento de Capucinos
Óleo sobre tela - 57 x 35,5 - 1888

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Costa de Amalfi, vista de um convento de Capucinos
detalhe

Aclamado como um excelente paisagista em todas as regiões que passava, é impossível não associar a sua imagem às inúmeras obras que fez de vários pontos da Itália. Talvez tenha sido o país com o qual mais se identificou em toda sua vida. Sua primeira visita por lá, aconteceu em 1858. Não foi uma das melhores épocas para visitar o país, a instabilidade política daqueles tempos fez com que não ficasse lá tanto quanto queria. Mas, o pouco que viu daquele primeiro contato já o seduziu o suficiente para não deixar de pensar naquelas terras. Anos depois, num período mais estável, ele voltaria lá e ficaria bem mais tempo. A década de 1870 foi especialmente dedicada à Itália.


FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Festividades da noite - Óleo sobre tela - 60,3 x 85,5

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Vista de Veneza, com o Palazzo D'Ario
Óleo sobre tela - 82,8 x 70,1

Em dois momentos da década de 1870, ele moraria na região de Nápoles, entre 1870 e 1872 e também entre 1877 e 1878. Foi um dos períodos mais criativos de sua carreira. Ele colecionou motivos variados e produziu estudos etnográficos que seriam usados em diversos trabalhos. Tornou-se assim, um dos ilustradores mais devotos da paisagem italiana, em particular do sul do país, onde gravou e reproduziu uma seleção natural sem excesso ideológico. Pintava o que via, filtrado apenas pelo impecável bom gosto, que sempre lhe foi particular. Conseguia transformar a mais simples cena em uma obra equilibrada e atraente. E era exatamente isso que atendia prontamente aos desejos do público e da crítica.

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Grande canal, Veneza - Óleo sobre tela - 60,5 x 100,1

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Vista de Veneza, dos jardins públicos
Óleo sobre tela - 81,2 x 69,8

Em Veneza, ele viria afirmar que havia conhecido “a pura verdade”. “Il puro vero”, como costumava dizer. Em nenhum lugar, viu o magnífico e o comum em tão perfeita comunhão. Construções suntuosas ao lado do povo simples, que lotava os canais e pequenas ruelas. Ali, sua paleta tornaria ainda mais brilhante que de costume. Sua capacidade de captar a luz, somada à precisão do desenho e da boa composição, fizeram dele um artista sem precedentes na representação da cidade. Suas obras não lembram a austeridade de Canaletto e Belotto, trazem uma Veneza alegre e festiva, iluminada e convidativa.

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Sorrento, baía de Nápoles - detalhe

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Sorrento, baía de Nápoles
Óleo sobre tela - 82,5 x 71,1

Desde quando mostrou seu primeiro trabalho com um tema italiano, em 1868, na Sociedade de Arte de Viena, logo ficou claro que a Itália teria uma grande influência em sua carreira. Em 1873, na Exposição Mundial de Viena, ele expôs uma cena ricamente produzida à partir de uma tomada em Sorrento, na costa italiana. Capri e várias tomadas da Costa Amalfitana viriam consagrar definitivamente a carreira desse grande artista de seu tempo.

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Amalfi, Golfo de Salerno
Óleo sobre tela - 110 x 100

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Figuras numa encosta de Pompeia
Óleo sobre tela - 57,2 x 85,1

De aparência sempre elegante e de modos impecáveis, era sempre muito bem recebido por onde passava. Nunca se casou e viveu uma vida devotada especialmente à arte. Quando não estava viajando, se refugiava em sua casa em Bruxelas. A fortuna que adquiriu ainda em vida, permitiu ter uma vida estável e sem sobressaltos. Vários museus da Europa e Estados Unidos exibem seus trabalhos, mas, a maior parte de sua produção encontra-se mesmo em coleções particulares.

FRANZ RICHARD UNTERBERGER - Vista dos Dolomitas, Lago de Landro
Óleo sobre tela - 66 x 93

PARA SABER MAIS:




quarta-feira, 27 de setembro de 2017

DOMINIC AVANT

DOMINIC AVANT - Hesitante - Óleo sobre tela - 30 x 40 pol

DOMINIC AVANT - Descanso - Óleo sobre tela - 30 x 40 pol

Há Artistas que possuem o desenho preciso, há artistas que possuem cores fabulosas, há artistas que dominam a composição de tal maneira que aprisionam qualquer espectador... Há artistas que conseguem tudo isso! Dominic Avant é um deles. Composições cativantes, cores agradáveis e desenho na medida certa. Como é bom encontrar artistas que conjuguem tão bem essa perfeita simetria em suas obras.

DOMINIC AVANT - Nossos momentos - Óleo sobre tela - 30 x 40 pol

DOMINIC AVANT - Paciência - Óleo sobre tela - 30 x 40 pol

Realizando trabalhos que combinam realismo e impressionismo, Dominic Avant é um artista que vem conquistando um público cada vez mais crescente. O artista recorda da infância feliz, quando já “sujava” todas as paredes da casa com lápis de cor, e da primeira visita que fez a um museu, encorajado pela sua irmã Claudia, que despertou nele a vocação que já era nata.

DOMINIC AVANT - Repouso - Óleo sobre tela - 24 x 20 pol

DOMINIC AVANT - Solidão - Óleo sobre tela - 11 x 20 pol

Após se formar pela Rhode Island School of Design, ele foi admitido pela Walt Disney Feature Animation, onde iniciou também sua carreira de pintor. Desde 2003, ele tem pintado em tempo integral e ensinado sua técnica em diversas oficinas. O artista utiliza o óleo como técnica principal, e tem uma grande preferência por temas figurativos e paisagens. Amante incondicional da pintura ao ar livre, é fácil de entender porque sua obra tem uma luminosidade tão intensa e contrastes tão dramáticos.

DOMINIC AVANT - Nas margens do rio - Óleo sobre tela - 22 x 30 pol

DOMINIC AVANT - Ganhando o dia - Óleo sobre tela - 20 x 30 pol

Indagado certa vez sobre a condição de se tornar um artista independente e de tempo integral, ele lembra que o início não foi fácil. Além do grande desafio de se estabelecer no mercado com suas obras, há também a boa concorrência de ótimos artistas que se estabeleceram muito antes dele. Mas, isso o impulsionou e tornou sua proposta ainda mais desafiadora. Ele gosta de citar, inclusive, que sempre encoraja os artistas iniciantes a terem mais de uma fonte de renda, até que estabilizem completamente na profissão. Lembra que quando fazia trabalhos para a Disney, tirava um tempinho todos os dias, após o trabalho, para esboçar alguma cena em plein air, no trajeto para sua casa. Mesmo quando não podia fazer isso, se imaginava mentalmente lá, realizando seu exercício diário.

DOMINIC AVANT - Brincadeira de criança - Óleo sobre tela - 24 x 30 pol

DOMINIC AVANT - As últimas luzes - Óleo sobre tela - 25 x 18 pol

Certa vez, quando consultado sobre o que achava mais difícil no mundo das belas artes, ele afirmou categoricamente que a inconsistência do rendimento mensal seja, talvez, o maior desafio para o artista que inicia por esse caminho. Há que se compensar a escassez de certos meses com as boas vendas e negócios de outros. Todos os bons artistas do meio se equilibram dessa maneira. Por isso, os workshops e oficinas são sempre bem-vindos nos períodos de entressafras.

DOMINIC AVANT - In awe - Óleo sobre tela - 22 x 32 pol

DOMINIC AVANT - Irmãos - Óleo sobre tela - 36 x 48 pol

Um conselho do artista para todos aqueles estão se iniciando:

“Mantenha-se real e compassivo com o seu trabalho. Pinte aquilo que o emocione. Nunca se torne muito complacente. Ser um artista é uma longa jornada.”


PARA SABER MAIS: